Confronto no Paraná entre professores e PMs deixa pelo menos 180 feridos

Ao menos 180 pessoas ficaram feridas nesta quarta-feira, 29, segundo a prefeitura de Curitiba, após confronto entre PMs e professores da rede estadual do Paraná em greve, na frente da Assembleia Legislativa do Estado. Trata-se de um dos maiores confrontos da história do País envolvendo um grupo de manifestantes e a polícia.

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O grupo protestava contra a votação do projeto que autoriza o governador Beto Richa (PSDB a usar recursos do fundo de pensão Paraná Previdência como parte das medidas de austeridade e ajuste fiscal. O projeto foi aprovado. O governador alegou que o confronto foi provocado por black blocs. O Estado também considera um número menor de feridos: 40, incluindo 20 policiais militares. Em fevereiro, professores já haviam se mobilizado contra as mudanças no fundo de pensão.

A greve foi cancelada quando o projeto teve a tramitação suspensa. O clima já era tenso na região do Centro Cívico desde o início da semana, com professores acampados. Nesta quarta, a votação do projeto teve início às 15 horas e, cerca de uma hora depois, quando se informou que a proposta seria votada, a Polícia Militar avançou e entrou em confronto com os manifestantes. Houve tiros de bala de borracha e bombas de gás lacrimogêneo. Não há consenso sobre o que motivou a ação.

O comando da polícia chegou a informar que 17 policiais foram presos por se recusar a participar do cerco. Posteriormente, o Estado negou a informação, mas a OAB do Paraná prometeu investigar o caso. “Estava tudo calmo, quando (os PMs que faziam o cerco à Assembleia começaram a descer a rua, a atirar bombas e bater”, disse, com os olhos vermelhos, Donizete Lopes, que vende churrasquinho no local. Durante o confronto, o cinegrafista da Band, Luiz Carlos de Jesus e o deputado estadual Rasca Rodrigues (PV foram mordidos por um cão pitbull de um policial. Jesus terá de passar por uma cirurgia. Além dele, Rafael Passos da CATVE foi atingido por uma bala de borracha.

O professor Davi José foi atingido por três balas de borracha e teve de ser atendido em um ambulatório improvisado no subsolo da prefeitura. O governo municipal diz ter atendido nos hospitais 180 pessoas. De acordo com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), 15 permaneciam hospitalizadas, com ferimentos graves.

O prefeito Gustavo Fruet (PDT lamentou o episódio. “Colocamos nossas unidades à disposição dos feridos. O Paraná já vem sendo atingido pela (repercussão dos casos de corrupção Lava Jato e agora podemos perder ainda mais a confiança.” Black blocs “Tem cenas chocantes, ninguém pode ser hipócrita, mas os policiais precisavam se defender (dos black blocs)”, disse Beto Richa. Segundo ele, adeptos da tática violenta se infiltraram no movimento docente e atacaram os soldados que faziam o cerco à Assembleia. Sete deles teriam sido detidos e levados para o 1.º DP. Richa ainda disse não haver motivo para paralisação de professores e vê “instrumentalização” por partidos políticos e CUT.

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O tom político também foi dado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Solidarizo-me com os professores, que foram agredidos de forma violenta pela Polícia Militar”, escreveu nas redes sociais. “É inadmissível que o direito de manifestação seja restringido a qualquer pessoa.” A direção do sindicato dos professores prometeu manter o acampamento na Assembleia durante a madrugada. Coordenador do Conselho Nacional de Direitos Humanos, Darci Frigo disse que uma comissão seguirá para o Estado. Já o Ministério Público informou que atenderá todas as pessoas feridas no conflito que queiram denunciar violência sofrida.

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