Como é ser disléxico?

Para ilustrar as dificuldades de um disléxico, ao passo que exemplificamos as características desse distúrbio, vou reescrever um trecho do livro “Entendendo a Dislexia”, de Sally Shaywtz, onde ela faz o relato descritivo de um caso:
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ALEX
Nos seus primeiros anos de vida, Alex era tão rápido para entender as coisas que seus pais ficaram surpresos  quando teve de se esforçar para aprender as letras na pré-escola.
Quando lhe mostrava uma letra, ele a olhava fixamente, franzia o cenho e aleatoriamente tentava adivinhar qual era. Alex parecia não aprender os nomes das letras. Nas 1ª série, esforçava-se para relacionar as letras aos seus sons. Por volta da 3ª série, continuava a gaguejar e a falar de maneira precipitada e confusa quando tentava decifrar o que estava na página à sua frente. A linguagem havia se tornado sem dúvida um problema para um menino que, apesar de entender quase tudo, nem sempre era claro para se expressar. Pronunciava mal muitas palavras, omitindo o começo ou o final das palavras, ou , ainda, invertia a ordem das sílabas. Alex tinha problemas para encontrar a palavra exata que queria dizer, muito embora a impressão que dava era a de que pudesse dizer tudo o que quisesse.
Olhando para esse menininho lindo e muito sério, que passava horas montando quebra-cabeças complexos e montando intricadas miniaturas de aviões, seu pai não conseguia acreditar que ele tinha um problema. Alex, contudo, ficada cada vez mais consciente de sua dificuldade de leitura e perguntava cada vez mais frequentemente por que seus amigos estavam em outro grupo de leitura. Ele praticava, tentava, mas nunca conseguia fazer com que o resultado final fosse correto.
Seus pais o trouxeram para ser avaliado. Percebemos que Alex era extremamente inteligente, chegando a escores altíssimos em pensamento abstrato e em lógica. Seu vocabulário também era altamente desenvolvido. Alex aprendia, raciocinava e entendia conceitos em um nível muito alto. Apesar de todos esses pontos fortes, seu desempenho na leitura era desanimador. O que era mais difícil para Alex, contudo, eram as pseudopalavras (isto é, palavras que podem ser lidas e pronunciadas, mas que não tem significado nenhum). Ele tentava decifrar essas palavras. Às vezes, usava a primeira letra para dar uma resposta às palavras, tentando adivinhar de maneira aleatória a palavra à sua frente.
Por outro lado, Alex conseguia ler em silêncio uma passagem curta e responder às perguntas sobre ela muito melhor do que ler e pronunciar palavras isoladas. Ao ler uma passagem silenciosa,  ele fazia bom uso de pistas, como os desenhos dos livros e as palavras circundantes; ele as usava para chegar ao significado de frases e de passagens que continham palavras que não conseguia ler. “Eu imagino o que está escrito”, explicava.
Alex brilhava quando se pedia a ele que escutasse uma história e que depois respondesse a uma série de questões, obtendo resultados significativamente acima da média. Ler em voz alta era especialmente difícil, pois ele relutava em ler diante da turma, e era fácil entender o porquê. Sua leitura era penosa: as palavras eram pronunciadas erradamente, substituídas ou frequentemente omitidas por completo. Palavras lidas corretamente em uma frase eram lidas de forma errada em outra. Lia incrivelmente devagar e fazia pausas a todo momento. Com frequência cada vez maior, Alexia pedia para ir ao banheiro quando sua vez de ler, se aproximava. Quando era chamado a ler, tentava parecer engraçado, fazendo piadas com as palavras ou virando uma cambalhota e rindo, para que fosse mandado para fora.
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Sua escrita era ilegível e a ortografia ruim. As letras eram grandes, malfeitas e trêmulas. Por outro lado, sua habilidade matemática, especialmente na resolução de problemas e nas questões que exigiam raciocínio, estava em uma faixa superior. Ao final do teste, Alex diagnosticou seu próprio problema de leitura: “Eu não sei os sons que as letras têm”. Disse também que lhe incomodava o fato de seus amigos estarem em um grupo diferente de leitura. Às vezes, argumentou, isso o deixava muito triste. Seu único desejo era tornar-se um leitor melhor, mas não sabia como isso poderia realizar-se.
Quando encontrei os pais de Alex, eles me fizeram muitas perguntas: “Ele tem algum problema?”, “Se tem, qual a natureza desse problema?”, “O que podemos fazer para ajudá-lo?”. Acima de tudo, perguntavam: “Ele vai melhorar?”. Eu lhes disse que Alex não só sobreviveria, como floresceria.”

FONTE: http://www.comoeuaprendo.com.br

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