Ministro da Educação classifica resultado da ANA como “preocupante” – LEIA

O MEC (Ministério da Educação) divulgou na tarde desta quinta-feira (17), os resultados da ANA (Avaliação Nacional de Alfabetização) de 2014. De acordo com os dados, 57,07% dos estudantes do 3º ano do ensino fundamental têm rendimento inadequado em matemática, 34,34% em escrita e 22,07% em leitura. Para o ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, o resultado é preocupante: “Esses dados são extremamente preocupantes. Exigem medidas urgentes se quisermos chegar à meta do PNE de erradicar a alfabetização.”

Janine aponta que a situação em matemática é a que mais precisa de ajustes. “O quadro em matemática é pior do que nos outros”, disse. O ministro também falou que é preciso utilizar os resultados para que se realize melhoras nos índices. Para ele, a solução não seria punições às escolas. “Não vamos trabalhar com sanções. Vamos continuar avaliando os instrumentos e realizando intervenções pedagógicas para auxiliar escolas onde há os piores resultados”, completou.

O secretário-executivo do MEC, Luiz Cláudio Costa, afirma que os dados mostram um grande desafio, mas que é possível melhorar. “É possível chegar aonde queremos porque tivemos um avanço. Mas só será possível se fizermos alguma coisa mais prática. Nem o melhor dos Estados consegue alcançar meta do PNE [Plano Nacional de Educação] da universalização da alfabetização”, disse.

Questionado sobre o corte de recursos, Janine afirma que é preciso lidar com a realidade econômica. “Não temos recursos para realizar mudanças maiores que nos levam a cumprir o PNE. São nas estratégias menores que vamos focar em um primeiro momento. Também vamos investir na gestão das escolas”, disse. Sobre alcançar as metas do PNE, Janine disse que “não possível prever se as metas serão atingidas em 2024”.

Resultados da ANA

A avaliação de matemática foi a que teve os resultados mais negativos. Ao todo, 57,07% dos alunos de todo o país tiveram baixo desempenho na prova de 2014 (níveis 1 e 2 do total de 4). Em 22 Estados, mais da metade dos estudantes tirou as duas notas mais baixas da escala. Os números mostram que na maior parte do país os alunos de 8 anos não conseguem somar ou fazer problemas com números de até três algarismos

Na disciplina, o desempenho só foi positivo, ou seja, mais da metade dos alunos tirou as duas melhores notas, em cinco unidades da federação: DF, MG, PR, SC e SP. Nos outros 22 Estados, a maior parte dos alunos tirou as notas baixas. Os melhores resultados em matemática foram atingidos por Minas Gerais e os piores, pelo Maranhão.

Os dados (que avaliam alunos do 3º ano do ensino fundamental) também mostram que 22,2% dos alunos de 8 anos de idade não conseguem ler textos. Esses alunos alcançaram o nível 1 em leitura uma escala que vai até 4. De acordo com Janine, esse nível é considerado inadequado. “Esse é um nível em que o estudante não consegue ler”, diz.

A ANA também avaliou o desempenho dos estudantes em relação à escrita. No total, 34,46% dos alunos de oito anos alcançaram níveis 1, 2 e 3 de um total de cinco. Esse resultado representa que um em cada três alunos brasileiros não consegue escrever textos curtos e compreensíveis. Em nove Estados (AL, AP, AM, BA, MA, PA, PB, PI e SE) mais da metade dos alunos tirou as três piores notas na avaliação. O pior estado foi o Pará e o melhor Santa Catarina.

No nível 1, estão estudantes que não conseguiram escrever. No nível 2, a criança escreve “não-ortograficamente”. No nível 3, ela escreve palavras e não textos. No nível 4, está escrevendo textos com algumas imperfeições. No nível 5, está escrevendo textos completos. “A situação de escrita é pior do que a situação de leitura”, apontou José Francisco Soares, presidente do Inep.

Como funciona a ANA

Criada em 2013 como parte do Pnaic (Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa), pacto do MEC para alfabetizar todas as crianças até oito anos de idade, a ANA é uma avaliação externa realizada pelo Ministério da Educação (por meio do Inep) com alunos de 3º ano do ensino fundamental (último ano do Ciclo de Alfabetização) de todo o país. A prova aplica testes para aferir níveis de alfabetização e letramento.

Os testes de matemática e português são compostos por 20 itens (total de 40). No caso de língua portuguesa, o teste é composto de 17 perguntas de múltipla escolha e três exercícios de produção escrita. No caso de matemática, serão aplicados aos estudantes 20 perguntas de múltipla escolha.

O teste também aplica questionários contextuais para professores apontarem informações sobre as condições de infraestrutura; formação de professores; gestão da unidade escolar; organização do trabalho pedagógico, entre outras. Os resultados servem para o governo estabelecer estratégias de melhoria da educação, visando o ciclo de alfabetização (1º ao 3º ano do ensino fundamental).

Até o momento, foram realizadas três avaliações (2012, 2013 e 2014). A prova de 2015 está cancelada. De acordo com o governo, a decisão ocorreu para que haja tempo hábil para análise de dados. No Inep, já se discute a necessidade de a avaliação ser anual — há indicativos de que a prova poderia ser aplicada a cada dois anos. De acordo com o órgão, a decisão “é pedagógica e não financeira”.

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2 Resultados

  1. Ana Lucia Moreira Rebolho disse:

    Aí estão postados os resultados de uma política de “faz de conta”. Não concordo com o ciclo de alfabetização em três anos, no meu entendimento as crianças que não aprendem a ler no primeiro ano devem ficar novamente no primeiro ano para , no seu ritmo ir aprendendo . Não reter a criança dos dois primeiros anos é triste, pois nos próximos anos a professora já estará avançando com os outros e aquele não acompanhará mais…
    Também critico a política da inclusão, pois infelizmente as professoras não têm superpoderes para dar conta de todas as crianças e ainda mais aquelas que necessitam de acompanhamento individualizado.
    Basta de impor medidas “econômicas” para questões tão sérias como é a educação!
    O ciclo de alfabetização também serve para que professoras não tão comprometidas se acomodem , pois seus alunos “não rodam”, como elas mesmo dizem…

  2. Ana Paula disse:

    Um país que não valoriza a educação não tem futuro. Não sei se foram os resultados que o levaram à demissão…
    O Renato Janine Ribeiro foi meu professor na universidade em filosofia politica. Homem inteligente, de respeito, simpático e muito didático. Ainda me lembro des suas aulas. Acho que deve ter sido um dos vários idealistas achando que a politica dos livros, das teorias e dos idealistas seria a mesma desta novela de baixo nível que representam os governos atuais.
    E não falo apenas do PT, do PSDB, ou do Brasil em geral. Aqui na França não é melhor, nem nos EUA. Talvez os países nórdicos ainda sejam um dos poucos exemplos onde políticos ganham pouco dinheiro e fama, utilizam os transportes públicos, não são políticos de carreira…
    Espero que ele não desista!
    E espero que homens e mulheres de talento, honestidade e boa vontade ainda possam fazer algo para que os governos avancem no bom sentido, ou seja, um país de cabeça levantada, sem vergonha de ser brasileiro, com honestidade e fraternidade; sabendo que isto não é utopia, mas um objetivo.

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