Inclusão de alunos com deficiência sem apoio pedagógico é criticada em audiência

Debatedores reclamam da falta de recursos para professores e escolas regulares oferecerem ensino de qualidade a alunos com deficiência

A inclusão de alunos com deficiência na escola regular sem o apoio pedagógico necessário perpetua a exclusão de crianças e jovens. Essa afirmação foi compartilhada pelos especialistas presentes em audiência pública realizada na quarta-feira (14) pela Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara dos Deputados, em debate sobre a educação inclusiva.

A audiência, solicitada pelos deputados Aelton Freitas (PR-MG) e Eduardo Barbosa (PSDB-MG) discutiu esse sistema, que vem sendo intensamente implantado na última década, com diminuição dos aportes financeiros do governo federal para escolas especiais.

A diretora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Rosana Glat, destacou que estar na escola regular é um ganho para muitas crianças com deficiência. No entanto, ela defendeu que nem sempre a classe comum é a melhor opção para todos.

“Se um aluno tiver dificuldades maiores que não possam, naquele momento, ser atendidas pelos recursos da turma comum, ele pode e deve estar numa classe especial ou em uma escola especial. Só que essa escola especial tem que ensinar, pois muitas vezes esses alunos ficam anos a fio sem ter um processo educacional de fato”, disse a professora.

Rosana Glat afirmou ainda que as escolas especiais precisam ter um currículo e uma programação individualizada para cada aluno. Para ela, a maior preocupação deveria ser com os processos de aprendizagem, e não com o lugar onde ele ocorre. Ela criticou as escolas regulares que não oferecem os recursos pedagógicos necessários em tempo integral, por considerar que gera uma exclusão dentro da escola.

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Falta de orientação

Enicéia Gonçalves enfatizou que os professores vivenciam uma grande angústia ao precisar atender alunos com os mais variados tipos de deficiência e necessidades pedagógicas. “Os professores das salas de atendimento educacional especializado (AEE) acreditam que, fazendo cursos vão dar conta de atender a tudo. Mas não é possível atender a todos com qualidade, sem que os profissionais tenham a especialização adequada. Muitos professores nas classes regulares nunca receberam nenhuma orientação sobre como lidar com os alunos com deficiência. É um serviço na mão de leigos e autodidatas”, lamentou a psicóloga.

Da Redação – AR
Com informações da Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência

FONTE: Esta notícia é um trecho da matéria da ‘Agência Câmara Notícias‘. Veja a original no link citado

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