Como mediar o processo de aprendizagem da língua escrita – Por MAGDA SOARES

Magda Soares, professora emérita da Faculdade de Educação (FAE) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), pesquisadora do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale), é um dos maiores nomes na área de alfabetização e letramento, com ênfase em ensino-aprendizagem. Além de sua inquestionável importância no cenário acadêmico, há 7 anos a especialista atua como consultora da rede municipal de educação da cidade mineira de Lagoa Santa, onde desenvolve um intenso trabalho ligado à formação de professores da rede pública.

Em entrevista exclusiva para a Plataforma do Letramento, mediada por Antônio Gomes Batista, doutor em educação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e coordenador de desenvolvimento de pesquisas do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), Magda Soares responde, nesta primeira parte, a algumas perguntas de professores alfabetizadores, discutindo o ensino-aprendizagem de crianças e oferecendo dicas importantes para a prática na sala de aula. Assista ao vídeo.

No segundo bloco da entrevista, Magda Soares discute princípios pedagógicos da alfabetização e a importância do letramento no ensino da tecnologia da escrita. Nesse momento, a professora destaca a influência da psicogênese da língua escrita, cujas pesquisas apontam a necessidade de a criança aprender a ler e escrever por meio de práticas e materiais reais de leitura e escrita. A especialista defende que alfabetização e letramento envolvem duas aprendizagens distintas, mas que devem ocorrer de forma articulada, o que denomina como alfabetizar letrando. A educadora sublinha ainda o papel da literatura infantil e da cultura lúdica no processo de letramento da criança.

No terceiro bloco, Magda Soares discute o tema políticas públicas para a alfabetização, entre as quais se destacam, atualmente, o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic), a Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA), ambos em nível nacional, além das políticas e dos programas estaduais e municipais. A esse respeito, a especialista, com sua larga experiência no tema, observa que, por serem pautados em conjunturas político-partidárias, entre as políticas e programas nem sempre reina o espírito de colaboração e complementaridade. Além disso, a professora atenta para a falta de propostas assentadas nos conhecimentos construídos a respeito da alfabetização e letramento e com perspectivas de continuidade. A respeito do quesito avaliação, Magda Soares considera importante haver um olhar externo sobre a educação, mas com base em um currículo com metas estabelecidas de forma clara para cada etapa do ensino. Segundo a entrevistada, a autonomia do professor está na escolha dos caminhos e das ações para se chegar a essas metas.

FONTE: Plataforma do Letramento (Licença Creative Commons)

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